segunda-feira, 22 de agosto de 2011




























Eram de longe.
Do mar traziam
o que é do mar: doçura
e ardor nos olhos fatigados.

Eugénio de Andrade

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domingo, 21 de agosto de 2011



























Acordei com vontade de lhe dar meu olhar.
Queria que o guardasse para mim
naquela sua caixinha de porcelana
que tens na cabeceira de tua cama
e onde todas as noites, antes de dormir,
guardas delicadamente
os sonhos que não queres ter...

Oswaldo Antônio Begiato


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Valsa














"Fez tanto luar
que pensei nos teus olhos antigos,
e nas tuas antigas palavras.
O vento trouxe de longe tantos lugares em que estivemos,
que tornei a viver contigo enquanto o vento passava.
Houve uma noite que cintilou sobre o teu rosto e modelou tua voz entre as algas.
Eu moro desde então nas pedras frias que o céu protege,
e estudo apenas o ar e as águas.
Coitado de quem pôs sua esperança nas praias fora do mundo,
muda-se o ar, viram-se as águas.
Até mesmo as pedras com o tempo mudam..."

Cecilia Meireles

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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Olhos Azuis








O teu olhar azul claro
Reflete não sei que luz,
O brilho fulgente e raro
Do meigo olhar de Jesus.

Eu cuido ver todo o encanto,
Toda a beleza do Céu,
Nestes teus olhos sem pranto,
N’estes teus olhos sem véu.

Sinto uma doce ventura,
Uma alegria sem fim,
Se d’eles a chama pura
A’s vezes cai sobre mim.

São flores azuis boiando
À tona d’água, de leve,
Esses dois olhos beijando
O teu semblante de neve!

Auta de Souza

Olhos Ternos





















Olhos ternos azuis, humildes, inocentes,
Orvalhados de dor, da lágrima sentida…
Chorais, e com razão, os amores ausentes,
Que são a vossa luz na estrada desta vida.

Chorais como dois lagos calmos, transparentes,
Refletindo a amplidão de uma tela estendida…
Olhos ternos azuis, desmaiados, dormentes,
Vejo em vós o sofrer de uma monja sentida.

Chorai, olhos azuis, que a lágrima divina
Vale mais do que rir de boca pequenina
Que comece a falar, mil beijos implorando…

Prefiro a vossa luz inundada na mágoa…
Olhos ternos azuis, ao ver-vos cheios d’água,
Eu padeço também… mas vos amo, chorando.


Olegário Mariano