terça-feira, 15 de setembro de 2009

Que Diremos Ainda?

















Vê como de súbito o céu se fecha
sobre dunas e barcos,
e cada um de nós se volta e fixa
os olhos um no outro,
e como deles devagar escorre
A última luz sobre as areias.
Que diremos ainda? Serão palavras,
isto que aflora aos lábios?
Palavras?, este rumor tão leve
que ouvimos o dia desprender-se?
Palavras, ou luz ainda?
Palavras, não. Quem as sabia?
Foi apenas lembrança doutra luz.
Nem luz seria, apenas outro olhar.

Eugénio de Andrade

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Seus Olhos
















Seus olhos - que eu sei pintar
O que os meus olhos cegou –
Não tinham luz de brilhar,
Era chama de queimar;
E o fogo que a ateou
Vivaz, eterno, divino,
Como facho do Destino.

Divino, eterno! - e suave
Ao mesmo tempo: mas grave
E de tão fatal poder,
Que, um só momento que a vi,
Queimar toda a alma senti...
Nem ficou mais de meu ser,
Senão a cinza em que ardi.

Almeida Garrett, in 'Folhas Caídas'

terça-feira, 24 de março de 2009

Atitude























Minha esperança perdeu seu nome...
Fechei meu sonho, para chamá-la.
A tristeza transfigurou-me
como o luar que entra numa sala.

O último passo do destino
parará sem forma funesta,
e a noite oscilará como um dourado sino
derramando flores de festa.

Meus olhos estarão sobre espelhos, pensando
nos caminhos que existem dentro das coisas transparentes.

E um campo de estrelas irá brotando
atrás das lembranças ardentes.

Cecília Meireles



























São dois rios os meus olhos,
- te juro -
noite dia correm, correm,
mas não acho o que procuro.

Cecilia Meireles

Estes teus olhos





















Eu gosto tanto
Eu tenho encanto
Por teu sorriso
Porque a coisa
Que eu acho louca
É a maravilha
Do teu olhar

Há nos teus olhos
Ilhas distantes e serenas
Há nos teus olhos
Tantos caminhos e trilhas
Há nos teus olhos
Muitas estrelas
Muito, muito silêncio
Muito luar

Teus olhos grandes
Teus olhos tristes
Cuja tristeza*
Me fez te amar


Vinícius de Moraes